Entre luz e arquitetura, Starlane ganha novo teto cenográfico em São Paulo

 

Para transformar de vez a noite paulistana, não basta ser ter a melhor música e os melhores drinks, é preciso pensar fora da caixa. É com essa proposta que o Starlane, ponto de parada obrigatório na Avenida Rebouças, inaugura um teto cenográfico, que integra intensidade e movimento conforme o ritmo da casa, fazendo o espaço transitar de bar e restaurante para uma atmosfera mais próxima de um club.

O projeto é assinado pela PH Lighting, que entra com uma bagagem construída justamente na interseção entre entretenimento, tecnologia e espaço. O estúdio, que reúne a experiência de Pieter den Hartog, lighting designer e programador com trabalhos em festivais como Tomorrowland, Rock in Rio, Lollapalooza, The Town, EDC e Defqon, e da cenógrafa Marcela Staffoker, que atua há mais de 15 anos em clubes e festivais, entre eles Zamna e Laroc.

A proposta parte de um elemento central: uma estrutura suspensa formada por módulos geométricos de madeira, produzidos artesanalmente e atravessados por linhas de luz digital. O desenho nasce da própria identidade visual do Starlane e ocupa o teto como uma espécie de segunda arquitetura, capaz de alterar a leitura do espaço sem mudar sua configuração.

“A gente decidiu dar uma renovada no visual do STARLANE porque acreditamos muito nisso: se tem alguma coisa que dá pra melhorar, vamos melhorar. Foi também uma oportunidade muito legal de começar essa parceria com o Pieter e com a Marcella.

Então decidimos olhar principalmente para a parte interna e mexer justamente nos pontos que a gente sentia que ainda podiam ser melhores. Não é uma reforma para transformar o STARLANE em outra coisa. É pegar o que já existe, o que a gente gosta e o que funciona, e melhorar a experiência como um todo.

Vamos mexer na iluminação, na acústica e no som. Vamos colocar mais caixas embutidas no teto, melhorar o tratamento acústico das paredes e trabalhar a iluminação de uma forma mais interessante. São mudanças pontuais que, juntas, fazem bastante diferença na experiência como um todo.

E uma coisa que eu acho muito legal nesse projeto é que vai ser uma reforma meio vapt-vupt. Em três dias úteis a gente vai refazer tudo. É quase um projeto de plug and play: começa e, quando você vê, já aconteceu.

Claro que pra isso funcionar existe uma organização enorme por trás, tanto do nosso time quanto dos fornecedores e parceiros envolvidos. Mas o STARLANE também é um pouco sobre isso: sobre conseguir ser rápido, estar sempre se movimentando e sempre trazer alguma coisa nova para quem vem aqui.

E por que agora, depois de um ano e meio? Não existe exatamente um grande motivo. Acho que um espaço vivo também precisa ir mudando e evoluindo aos poucos. E é gostoso criar essa surpresa para o público, de entrar aqui e perceber que alguma coisa mudou.

No final, a ideia é bem simples: se dá pra melhorar, vamos melhorar. Sem precisar mudar tudo ou reinventar a casa inteira. Às vezes são vários pequenos ajustes que, juntos, fazem a experiência ficar muito melhor.”


Uma arquitetura que muda ao longo da noite

As linhas de luz podem ser controladas individualmente e assumem diferentes combinações de cor, intensidade e movimento ao longo da noite. No início da operação, aparecem de forma mais contida; conforme a música ganha peso e o ambiente muda de ritmo, a iluminação acompanha esse deslocamento.

A estrutura também precisou responder a uma questão prática. Os equipamentos de ar-condicionado já instalados no salão faziam parte da paisagem do teto e não poderiam simplesmente desaparecer. A solução foi organizar os módulos ao redor dessa infraestrutura, incorporando-a ao desenho e reduzindo sua presença visual.

A geometria do teto também conversa com as grandes caixas acústicas desenvolvidas especialmente para o Starlane por Cristiano Zanette. Som, luz e cenografia passam, assim, a dividir uma mesma linguagem visual, em vez de aparecer como elementos independentes dentro do espaço.


Da ideia à instalação

A concepção visual é de Marcela Staffoker, que conduz forma, material, proporção e experiência espacial. Pieter den Hartog transforma essas ideias em sistemas funcionais, desenvolvendo iluminação, eletrônica, programação e soluções técnicas. Em resumo: Marcela desenha, Pieter faz funcionar.

A materialização no Brasil contou com Heitor Grangheli e Bruno Behring, responsáveis pela produção, integração e instalação de grande parte das soluções e envolvidos diretamente no desenvolvimento técnico, desde a integração dos LEDs e luminárias especiais até a implantação final do sistema. Os módulos cenográficos em madeira foram produzidos artesanalmente por Rafael Bonavina, parceiro de longa data da equipe.

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