Mesmo com IA em alta, habilidades humanas serão diferenciais competitivos
Estudos mostram que 59% da força de trabalho global precisará se requalificar até 2030 e organizações com cultura de aprendizagem alcançam mais lucratividade e produtividade
Em um cenário de transformações aceleradas por inteligência artificial, novas tecnologias e automação, o aprendizado contínuo deixou de ser um diferencial para se tornar a principal vantagem competitiva sustentável das empresas. Dados de organizações como o Fórum Econômico Mundial, Gallup e Delloite confirmam: o sucesso empresarial na próxima década dependerá menos de ativos tangíveis e mais da capacidade de líderes e equipes de aprender, adaptar-se e desenvolver competências humanas.
“Durante muito tempo, acreditou-se que bastava dominar aspectos técnicos para crescer. Hoje, o diferencial competitivo está na capacidade de aprender continuamente, desenvolver pessoas e construir relações de confiança. A tecnologia evolui em uma velocidade impressionante, mas ela não substitui liderança, comunicação, inteligência emocional e colaboração”, avalia Jair Lima, ex-docente de renomadas instituições de ensino e atualmente diretor executivo do BNI Goiás e Tocantins.
O Fórum Econômico Mundial, no relatório Future of Jobs 2023, estima que 59% da força de trabalho global precisará requalificar-se até 2030 para acompanhar as mudanças provocadas pela adoção de novas tecnologias. Paralelamente, um estudo da Gallup revela que organizações com cultura de aprendizagem estruturada alcançam, em média, 23% mais lucratividade e 14% mais produtividade do que concorrentes que negligenciam o desenvolvimento de pessoas.
Na avaliação do especialista, um dos principais erros do empresário é considerar que sua formação termina quando o negócio começa a crescer. “O contexto atual reflete uma mudança profunda na forma como as empresas precisam encarar a formação de suas lideranças. Muitos empresários investem constantemente na empresa, mas deixam de investir em si mesmos. Só que toda organização cresce até o limite da capacidade de desenvolvimento do seu líder . Se ele para de aprender, a empresa inevitavelmente também limita seu crescimento”, destaca.
Crescimento pessoal precede crescimento empresarial
Em um ambiente de negócios cada vez mais competitivo, o especialista defende que empresas de alta performance compartilham uma característica em comum: líderes que nunca deixam de aprender usam a educação contínua como ativo estratégico na sustentabilidade dos negócios.
Pesquisas recentes reforçam a importância das competências humanas no cenário da IA: segundo levantamento da Wiley citado pela LinkedIn, 87% dos profissionais consideram habilidades como liderança e comunicação indispensáveis para o avanço na carreira, e 80% acreditam que soft skills se tornaram ainda mais relevantes com a evolução da inteligência artificial. A mesma publicação indica que 95% dos profissionais concordam que habilidades humanas são atemporais” e continuarão sendo valorizadas independentemente do avanço da IA.
“Empresas extraordinárias são lideradas por pessoas que entenderam que crescimento empresarial começa, inevitavelmente, pelo crescimento pessoal. Os maiores ativos de uma empresa não aparecem no balanço financeiro. São a capacidade de adaptação, a cultura construída diariamente e a qualidade dos relacionamentos”, pontua o especialista.
Educação como pilar de crescimento para empresários
Considerando que o aprendizado contínuo é um dos sete valores da metodologia do BNI (Business Networking International), no mês de setembro, cerca de 300 empresários (do total de mais de 800 membros) passaram por treinamentos de liderança promovidos pelas regionais do BNI Goiás e Tocantins. Com anos de atuação em sala de aula, Jair acredita que iniciativas como essa mostram que a educação corporativa vai muito além da aquisição de conhecimento técnico.
“Educação é investimento em comportamento. Quem encara o aprendizado como parte da rotina desenvolve mais repertório e se prepara para um mercado em constante transformação. Quando o empresário aprende a liderar melhor, ele melhora sua comunicação, toma decisões conscientes, desenvolve sua equipe, fortalece seus relacionamentos e cria um ambiente muito mais propício ao crescimento dos negócios. A capacidade de continuar aprendendo é uma das poucas vantagens competitivas que ninguém pode copiar e esse valor é um dos pilares do que a metodologia do BNI proporciona ao membro”, finaliza Jair.

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