A Caixa Cultural Rio de Janeiro recebe, entre os dias 4 e 23 de agosto, a mostra "Um século de Metrópolis: da invenção do futuro às ruínas do sonho moderno", uma programação especial que celebra os 100 anos de um dos filmes mais influentes da história do cinema mundial

 

Com entrada gratuita, o evento será realizado na Unidade Passeio da Caixa Cultural, no Centro do Rio, reunindo 69 filmes, entre clássicos consagrados e obras raras de diferentes países e períodos, além de debates, apresentações musicais e outras atividades voltadas ao público.


A mostra tem como eixo central Metrópolis, dirigido pelo cineasta alemão Fritz Lang e lançado em 1927. Considerado um marco do expressionismo alemão e da ficção científica, o longa revolucionou a linguagem cinematográfica ao apresentar uma visão futurista de uma sociedade altamente industrializada, dividida entre uma elite que vive na superfície e trabalhadores que sustentam a cidade em condições precárias no subsolo.


Ambientado cem anos à frente de sua época de lançamento, o filme imaginava um futuro marcado pelo avanço tecnológico, pela mecanização do trabalho e pelas desigualdades sociais. Um século depois, muitas das questões levantadas pela obra continuam atuais, como o impacto da tecnologia na vida cotidiana, a automação, a inteligência artificial, a urbanização acelerada, a concentração de riqueza e os desafios das grandes metrópoles.


Como parte da programação, Metrópolis terá uma sessão única na sexta-feira (21), às 17h, acompanhada por uma trilha sonora executada ao vivo pelo cantor e compositor Negro Leo, proporcionando ao público uma experiência que remete às exibições do cinema mudo, quando apresentações musicais acompanhavam as projeções.


Reflexão sobre o futuro e a cidade

Mais do que homenagear um clássico, a mostra propõe uma reflexão sobre as transformações ocorridas ao longo do último século e sobre a forma como o cinema imaginou o futuro em diferentes momentos da história.


Segundo a curadoria, a programação foi organizada para estabelecer um diálogo entre Metrópolis e produções realizadas em diversas décadas, explorando temas como industrialização, arquitetura, urbanismo, tecnologia, relações de trabalho, desigualdade social, meio ambiente e os impactos da modernidade na vida humana.


A curadora Manoela Caldas destaca que, enquanto o futurismo do início do século XX era marcado pela confiança no progresso tecnológico, o presente é atravessado por incertezas diante das crises climáticas, dos conflitos sociais e das transformações provocadas pelas novas tecnologias.


"Se o futurismo é consequência da crença no projeto de desenvolvimento tecnológico da modernidade, o presente é marcado por uma sensação de perda do futuro ou, mais propriamente, por uma crise de imaginação do futuro, quando nos vemos diante das catástrofes causadas por esse mesmo projeto", afirma a curadora.


Programação reúne obras raras e grandes clássicos

Além de Metrópolis, o público poderá assistir a produções que marcaram a história do cinema mundial e que raramente são exibidas em salas brasileiras. Entre os destaques estão O Deserto Vermelho (1964), de Michelangelo Antonioni; Playtime – Tempo de Diversão (1967), de Jacques Tati; Mundo por um Fio (1973), de Rainer Werner Fassbinder; e História de Taipei (1985), do cineasta taiwanês Edward Yang.


Os filmes serão exibidos em formato DCP (Digital Cinema Package), padrão utilizado nas salas de cinema digitais, garantindo alta qualidade de imagem e som.


A seleção reúne longas e curtas-metragens de diferentes nacionalidades, estilos e movimentos cinematográficos, oferecendo ao público um panorama das diversas formas como o cinema retratou as cidades, o progresso tecnológico e as mudanças sociais ao longo dos últimos cem anos.


Entrada gratuita

Todas as sessões e atividades da mostra terão entrada gratuita, mediante retirada de ingressos, permitindo que estudantes, pesquisadores, cinéfilos e o público em geral tenham acesso a uma programação que combina entretenimento, história do cinema e reflexão sobre os desafios do mundo contemporâneo. A expectativa é que a iniciativa atraia amantes da sétima arte e contribua para ampliar o acesso à produção cinematográfica clássica e de caráter mais autoral. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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