Os brasileiros não precisarão mais de visto para entrar na Guiana Francesa a partir desta sexta-feira, 1º de agosto

 

A medida, resultado de um acordo firmado entre os governos do Brasil e da França, representa um avanço histórico nas relações diplomáticas entre os dois países e promete transformar a dinâmica da região de fronteira, especialmente no Amapá, único estado brasileiro que faz divisa terrestre com o território ultramarino francês.


A decisão põe fim a uma negociação que se estendia havia pelo menos 16 anos. O governo brasileiro defendia a adoção da isenção com base no princípio da reciprocidade, já que cidadãos franceses podem entrar no Brasil para viagens de turismo sem necessidade de visto. A assinatura do acordo ocorreu em 1º de julho, durante visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à França, consolidando um dos principais avanços recentes da agenda bilateral.


A expectativa dos governos é que a nova regra amplie significativamente a circulação de pessoas entre os dois lados da fronteira, impulsione o turismo, fortaleça o comércio regional, facilite o intercâmbio cultural e reduza a burocracia enfrentada por milhares de moradores que mantêm vínculos familiares, profissionais e comerciais entre Brasil e Guiana Francesa.


Durante a cerimônia de assinatura, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou a decisão como um momento histórico para as relações entre os dois países.


«"Trata-se de um marco histórico de nossas relações que atende aos anseios das populações tanto do lado do Brasil, em especial do estado do Amapá, quanto também do lado da Guiana Francesa", afirmou o chanceler.»


Amapá concentra os maiores benefícios

O principal impacto da medida será sentido em Oiapoque, município localizado no extremo norte do Amapá, com cerca de 26,6 mil habitantes. A cidade faz fronteira direta com Saint-Georges-de-l'Oyapock, na Guiana Francesa, sendo as duas ligadas pela Ponte Binacional sobre o Rio Oiapoque, inaugurada em 2017 para facilitar a integração entre os territórios.


Até agora, a exigência do visto francês era considerada um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento da região. O processo exigia deslocamentos, custos e tempo de espera, dificultando viagens curtas para turismo, compras, visitas familiares e participação em eventos culturais.


Com a nova regra, moradores da fronteira passam a contar com um deslocamento muito mais simples, favorecendo o comércio local, o setor de serviços, hotéis, restaurantes, transporte e pequenos empreendedores que dependem da circulação de visitantes entre os dois lados da divisa.


Potencial para impulsionar o turismo

A expectativa do setor turístico é de crescimento no número de brasileiros interessados em conhecer a Guiana Francesa, território ultramarino da França localizado na Amazônia. A região reúne atrações como parques naturais preservados, reservas de floresta tropical, rios, patrimônio histórico e a cidade de Kourou, onde está instalado o Centro Espacial da Guiana, principal base de lançamentos de foguetes da Agência Espacial Europeia (ESA).


Ao mesmo tempo, a facilidade de acesso também pode aumentar a entrada de franceses no Amapá, fortalecendo o turismo de natureza, gastronômico e cultural, além de estimular investimentos em infraestrutura e serviços voltados aos visitantes.


Integração econômica e social

Especialistas avaliam que a dispensa do visto poderá ampliar a integração econômica entre Brasil e Guiana Francesa, incentivando novos negócios, feiras comerciais, cooperação acadêmica, intercâmbio cultural e projetos conjuntos nas áreas de educação, saúde e desenvolvimento regional.


A medida também beneficia trabalhadores, estudantes e famílias que mantêm relações frequentes entre os dois lados da fronteira, reduzindo barreiras burocráticas e aproximando ainda mais as comunidades locais.


Apesar da flexibilização, a entrada na Guiana Francesa continuará sujeita ao controle migratório das autoridades francesas. Os viajantes deverão apresentar documentos válidos e atender às exigências de imigração estabelecidas pela França, podendo ser solicitadas comprovações como finalidade da viagem, recursos financeiros e período de permanência, conforme a legislação vigente. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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