Um prejuízo com cadeiras levou empresário a se reinventar e hoje fatura R$ 4 milhões ao ano com cenografia
No
fim dos anos 1990, a família de Mateus Souza produziu um lote de cadeiras para uma
empresa do setor de eventos, mas nunca recebeu pelo serviço. O material ficou
parado na marcenaria da família, em Minas Gerais, enquanto o dinheiro investido
parecia perdido.
Foi
então que Mateus, que cresceu acompanhando a rotina da oficina do pai, teve uma
ideia simples: em vez de vender as cadeiras, por que não alugá-las? "Meu
pai estava preocupado porque tinha material parado e dinheiro preso ali. Eu
olhei aquilo e pensei que a gente sabia fabricar e podia alugar. Foi quando
tudo começou", conta.
A iniciativa
deu origem ao primeiro negócio da família voltado para o mercado de eventos e
abriu caminho para uma trajetória que, mais de duas décadas depois, resultaria
em uma empresa especializada em cenografia, estruturas e experiências para
eventos corporativos e shows.
Filho
de marceneiro, Mateus cresceu cercado por madeira, ferramentas e processos de
fabricação. O conhecimento adquirido na oficina acabou se tornando o
diferencial da empresa quando, em 2012, ele decidiu ampliar a atuação e
investir em projetos cenográficos personalizados.
Hoje,
a operação reúne marcenaria, serralheria, gráfica, costura e montagem em um
único espaço. Com 14 funcionários fixos e apoio de profissionais freelancers, a
empresa realiza mais de 200 projetos por ano e movimenta cerca de R$4 milhões
anuais.
O
crescimento acompanha a expansão do mercado de eventos. Segundo dados da
Abrape, o setor movimentou R$ 140,9 bilhões em 2025, o maior volume já
registrado pela entidade. Nos últimos anos, a empresa vem crescendo
aproximadamente 20% ao ano.
Ao
longo da trajetória, Mateus participou de produções corporativas, gravações de
DVDs, fóruns empresariais e apresentações musicais de grande porte. Mesmo com o
avanço dos painéis de LED, projeções digitais e ferramentas de inteligência
artificial, ele acredita que os elementos físicos continuam desempenhando papel
fundamental na experiência do público.
"Um
painel sozinho não cria conexão. A cenografia cria volume, textura e presença.
A tecnologia soma, mas não substitui aquilo que as pessoas conseguem sentir
quando entram em um ambiente", afirma.
A
experiência acumulada também transformou o empresário em uma referência para
arquitetos e projetistas que precisam avaliar a viabilidade técnica de
determinadas peças e estruturas. "Às vezes o projeto está bonito no papel,
mas é preciso entender se aquilo realmente consegue ser executado. Essa ponte
entre a ideia e a realidade faz parte do nosso trabalho", diz.
Mais
de 20 anos depois, aquelas cadeiras que ficaram encalhadas na oficina da
família representam o ponto de partida de uma empresa que nasceu para evitar um
prejuízo e acabou encontrando um mercado inteiro para crescer.

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