Por que a endometriose ainda é subdiagnosticada no Brasil?
O Dia Internacional da Luta Contra a Endometriose é celebrado
em 7 de maio e reforça o alerta para uma doença que pode afetar
aproximadamente 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva, segundo estimativas
baseadas em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mesmo com alta
prevalência, a endometriose ainda é subdiagnosticada e frequentemente
confundida com “cólica forte”.
Afinal, o que é a endometriose?
De acordo com o Dr. Marcos Tcherniakovsky, ginecologista,
especialista em endometriose e Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira
de Endometriose (SBE), a doença ocorre quando o tecido que reveste a parte
interna do útero (endométrio) se desloca para fora da cavidade uterina.
“Durante a menstruação, parte desse material pode refluir
pelas tubas uterinas e atingir a cavidade abdominal. Com isso, pode se
implantar em regiões como atrás do útero, ovários, intestino e bexiga. Esse
processo desencadeia uma reação inflamatória que varia de quadros leves até
manifestações severas”, explica o médico.
Sintomas
Os sintomas são variados e podem ser incapacitantes.
Dismenorreia intensa (cólica menstrual profunda), dor pélvica crônica que
persiste além do período menstrual, dor durante as relações sexuais,
desconforto intestinal ou urinário que acompanha o ciclo e dificuldade para
engravidar são algumas das manifestações relatadas com maior frequência. Muitas
pacientes convivem com esses sinais por anos sem receber um diagnóstico formal,
o que compromete tanto a saúde física quanto o bem-estar emocional.
“Muitas mulheres normalizam a dor por anos, o que contribui
para o atraso no diagnóstico. A dor incapacitante não deve ser considerada algo
comum”, alerta o especialista.
Quem pode desenvolver a doença?
A endometriose está relacionada ao período reprodutivo da
mulher. Pode surgir desde a primeira menstruação que pode ocorrer a partir dos
10 ou 11 anos até a menopausa. “Chamamos esse intervalo de menacme, fase em que
a mulher está menstruando. Em todo esse período existe a possibilidade de
surgimento da endometriose”, ressalta o Dr. Marcos.
Diagnóstico precoce é decisivo
O diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais
para minimizar complicações. O tratamento pode incluir opções farmacológicas,
terapias hormonais e, nos casos mais avançados, intervenção cirúrgica. “Um
acompanhamento clínico multidisciplinar é essencial para reduzir a dor,
preservar a fertilidade quando desejado e promover melhor qualidade de vida”,
conclui o especialista.
Ampliar a conscientização sobre os sinais de alerta e
estimular a busca por avaliação médica pode diminuir o tempo até o diagnóstico
e, consequentemente, reduzir o impacto da doença no cotidiano das mulheres.

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