Férias escolares aumentam preocupação com uso de telas; especialistas defendem atividades presenciais para estimular o cérebro infantil

 

Atualização da Academia Americana de Pediatria publicada em 2026 recomenda que famílias priorizem brincadeiras, convivência e momentos longe dos dispositivos digitais durante o recesso


As férias escolares costumam significar mais tempo livre para as crianças e, consequentemente, mais horas diante de celulares, tablets, computadores e videogames. O cenário tem chamado a atenção de especialistas em desenvolvimento infantil e motivado novas orientações sobre o uso da tecnologia na infância.


Em uma atualização publicada em 2026, a Academia Americana de Pediatria (AAP) mudou o foco das recomendações sobre telas. Em vez de concentrar o debate apenas na quantidade de horas de exposição, a entidade passou a orientar que pais e responsáveis observem principalmente o contexto em que os dispositivos são utilizados e evitem que eles substituam experiências essenciais para o desenvolvimento infantil, como brincadeiras, atividade física, leitura, sono e convivência familiar.


O documento também recomenda que as famílias estabeleçam momentos livres de dispositivos eletrônicos, retirem celulares e tablets dos quartos das crianças, evitem o uso durante as refeições e interrompam o contato com as telas antes do horário de dormir. Segundo a entidade, o objetivo não é eliminar a tecnologia da rotina, mas garantir que ela faça parte de um ambiente equilibrado de desenvolvimento.


Nesse contexto, atividades presenciais que unem lazer e aprendizado têm ganhado espaço durante o recesso escolar. Entre elas estão as colônias de férias voltadas à estimulação cognitiva, que utilizam jogos, desafios e atividades práticas para desenvolver habilidades como atenção, memória, raciocínio lógico, criatividade, percepção visuoespacial e trabalho em equipe.


Segundo a neurocientista Lívia Ciacci, o cérebro responde de forma positiva quando o aprendizado desperta curiosidade e prazer. "O humor nasce da forma como o cérebro projeta e antecipa situações. Quando ocorre uma quebra de expectativa, surge o riso. Essa leveza faz com que o esforço cognitivo seja mais agradável e aumenta o envolvimento das crianças nas atividades."


A especialista explica que o cérebro possui mecanismos naturais voltados para identificar novidades, característica que favorece metodologias baseadas em desafios variados e progressivos.

"O cérebro procura naturalmente aquilo que é novo. Quando as atividades apresentam variedade e um grau de dificuldade adequado, conseguimos manter a curiosidade, a motivação e o engajamento por mais tempo."


Outro princípio importante é a alternância entre diferentes tipos de tarefas. De acordo com Ciacci, isso permite que determinadas regiões do cérebro descansem enquanto outras permanecem em atividade.

"O ábaco, por exemplo, exige bastante concentração, mas pode ser uma atividade relaxante justamente porque desloca o foco da atenção para uma tarefa diferente. Essa mudança também ajuda a reduzir a sensação de cansaço mental."


Para Andreia Oliveira, especialista em aprendizagem e diretora da unidade Supera Alto de Pinheiros, as férias também podem ser um período de descobertas e desenvolvimento. "Quando a criança encontra desafios que despertam a curiosidade, ela aprende de forma espontânea e prazerosa. As férias são uma excelente oportunidade para ampliar esse repertório por meio de atividades presenciais que estimulam o raciocínio, a criatividade, a autonomia e a convivência."


Segundo Lívia Ciacci, iniciativas desse tipo ajudam a ampliar o repertório de experiências das crianças justamente em um período em que o uso de dispositivos eletrônicos tende a aumentar, favorecendo a interação social, a criatividade, a autonomia e a resolução de problemas por meio de atividades presenciais.


Programação

Durante o mês de julho, unidades do Supera promovem colônias de férias para crianças entre 5 e 12 anos. A programação reúne jogos de raciocínio, desafios de memória, exercícios de criatividade e atividades colaborativas que estimulam habilidades cognitivas e socioemocionais de forma lúdica. Na unidade do Supera Alto de Pinheiros, em São Paulo, as atividades acontecem às terças-feiras, das 17h às 19h, e às sextas-feiras, das 10h ao meio-dia.

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