Pressão reduz clareza de líderes em decisões que movem bilhões
Estudos
mostram arrependimento frequente e dificuldade diante do excesso de dados
Executivos de grandes empresas estão tomando
decisões de alto impacto sob níveis crescentes de pressão e excesso de
informação, o que já afeta diretamente a qualidade do julgamento na alta
gestão. O tema ganhou força em estudos recentes e passou a ser tratado como um
dos principais riscos em posições de liderança, especialmente em ambientes onde
decisões estratégicas precisam ser tomadas em prazos cada vez mais curtos.
O avanço da digitalização e a velocidade dos
negócios ampliaram a exposição dos líderes a múltiplas demandas simultâneas,
reduzindo o tempo de análise e aumentando a complexidade das escolhas. Ao mesmo
tempo, a concentração de responsabilidade no topo limita o espaço para troca
genuína, o que favorece decisões mais isoladas e mais propensas a
parcialidades.
“Existe uma ideia de que, quanto mais
experiência o líder tem, mais simples fica decidir. Na prática, acontece o
oposto. As decisões ficam mais complexas, mais expostas e com menos margem para
erro. Se não houver clareza mental, o risco não é só errar, é nem perceber que
está errando”, afirma Marcos Koenigkan, CEO do Think Tank Mercado &
Opinião.
“Em momentos de pressão, o impulso é acelerar.
Mas decisões críticas exigem o contrário: desacelerar o raciocínio para não
confundir urgência com prioridade. Nem sempre o problema é falta de informação,
muitas vezes é excesso sem filtro”, diz Paulo Motta, vice-presidente do Think
Tank Mercado & Opinião, em São Paulo.
Levantamento global da Oracle com 14 mil
líderes mostra que 85% já se arrependeram de decisões recentes e 72% relatam
dificuldade diante do excesso de dados. Já a Harvard Business Review aponta que
a solidão no topo compromete a qualidade das decisões ao reduzir o acesso a
contrapontos qualificados.
A discussão sobre o impacto da pressão na
tomada de decisão também tem ganhado espaço em fóruns empresariais. O Mercado
& Opinião promove, no dia 28 de abril, em São Paulo, um encontro que
reunirá lideranças para debater o tema sob diferentes perspectivas. Entre os
participantes estão o psiquiatra e escritor Augusto Cury, o executivo Alexandre
Baldy, ligado à operação da BYD no Brasil, e a empreendedora social Alcione
Albanesi, presidente da Amigos do Bem.
A pressão constante e a necessidade de
respostas rápidas vêm expondo um limite menos discutido da liderança: a
capacidade de manter clareza mental em decisões críticas. Em um ambiente onde a
informação não para de crescer, o diferencial deixa de ser acesso a dados e
passa a ser a forma como o líder organiza o próprio raciocínio.

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